segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Poema: Apenas faça

Por Khatlyn Profeta 


Apenas deixe-me...

Deixe-me morrer em minha tristeza nada silenciosa,
Em minha morte vagarosa, em minha tumba deleitosa.                
Apenas diga o que esperei por tanto tempo, solte de seus lábios o momento, a dor e o sofrimento. 
Apenas faça o que eu não pude:
abaixe meus escudos e ouse deitar-me sob os abutres.                        
Apenas deixe-me, pois não tenho mais interesse em ficar,
ir ou chorar, rir ou amar...
Mas apenas deixe-me ficar.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A difícil missão de ser "EU"

Por Khatlyn Profeta


            Pode parecer engraçado, bobo, ou simplesmente comum, mas tive em várias etapas da minha vida, a missão de voltar a ser eu mesma, e aprendi nessas épocas que cada vez que tomo a mesma decisão, ela fica mais fácil. Então, quero dividir com vocês o que me passou pela mente e, quem sabe, ajudar outras pessoas que precisem disso tanto quanto eu na época.

FASE 1: Ser indivíduo e não simplesmente “filha”.

Por muito tempo em minha infância e adolescência eu dependia quase que 100% da opinião e decisão dos meus pais, e isso não foi imposição deles, eu meramente confiava neles, e achava um tanto confortável não tomar muitas decisões. Acontece que tomar suas próprias decisões, em certa fase da vida é necessário, não somente para que o indivíduo se conheça, mas também para que ele aprenda que: suas decisões têm consequências e é preciso assumir a responsabilidade por suas próprias escolhas. Quando eu caí em mim que já deveria estar com minha própria identidade, eu já tinha mais de 20 anos, e cursava faculdade, e percebi nesse momento que deveria assumir o controle das minhas decisões (chegava ao ponto de perguntar à minha mãe qual roupa usar!!).
A atitude de me tornar um indivíduo, consciente de minhas decisões e detentora das escolhas, me fez mais madura, mas, com certeza, não foi um processo fácil. Primeiramente, meus pais estavam acostumados a me dirigir em tudo, mesmo que partisse deles a iniciativa de minha personalidade definida, por força do hábito eles continuavam fazendo o que sempre fizeram, a atitude deveria ser minha, e deveria ser tomada com respeito e cautela, mas eu precisava colocar limites. Algumas vezes passei do ponto na hora de impor as regras, e me arrependo dessas vezes, mas com certeza não me arrependo de fazê-los pois só assim pude ser de fato adulta (pois a idade sem as responsabilidades e maturidade não significa nada). Foi um processo longo e necessário, e no fim dele eu estava apta a tomar as rédeas da minha vida, mas, claro, sem ser burra de querer seguir a vida sozinha sem os conselhos tão valiosos dos meus pais, mas a diferença é que agora eram só conselhos, a decisão era minha, como indivíduo.
Dentre essas decisões que tomei, a mais importante foi: casar.

FASE 2: Ser indivíduo e não somente “esposa”

Quando eu me casei, hoje vejo, que dei uma pequena regredida em toda “independência” que eu tinha assumido no início da minha juventude, e isso é normal, afinal, num bom relacionamento as decisões são tomadas a dois. Contudo, a dependência também não é saudável, o ideal é o acordo mútuo entre os cônjuges, mas não foi exatamente assim que eu vivi os primeiros momentos do meu casamento. Acabei, sem perceber, perdendo minha identidade individual, e não tinha mais programas que não fossem “nossos”, nem amizades, nem gostos, e comecei a me entristecer sem nem perceber de ondo vinha a tristeza, até que um dia meus olhos se abriram pra algo que eu já tinha ouvido muitas vezes, mas não tinha de fato entrado na minha mente: pra um casamento saudável é necessário que os dois indivíduos sejam inteiros e saudáveis (claro na medida do possível, afinal, ninguém é perfeito).
O que tinha acontecido é que eu acabei por “achar”, mesmo sem pensar, que teríamos que nos divertir sempre juntos, e sair sempre juntos, e os amigos tinham que ser sempre os mesmos, e teríamos que dividir todos os momentos bons. Isso parece bom pra um relacionamento romântico, não é mesmo? Mas o problema desta atitude são os absolutismos. “Sempre” e “tudo” não fazem bem em quase ambiente nenhum, e raramente são aplicáveis de forma correta, o que me vem à mente agora é que sempre precisamos de oxigênio para viver, e esta é uma das poucas vezes em que a palavra “sempre” pode ser aplicada corretamente.
Não estou dizendo que não se deve passar o tempo ou as situações com o cônjuge, mas pra dividir minha vida com alguém, preciso antes ter uma vida que seja MINHA.


FASE 3: Ser indivíduo antes de ser “mãe”

Essa pra mim foi a mais difícil das missões de ser “eu”. Talvez pela razão de que ainda estou no início dela, mas também porque um filho é muito parte de nós, e se desvencilhar disso dá muito mais trabalho, afinal ele é SEU FILHO, SANGUE DO SANGUE, e ainda é frágil, dependente, e tudo mais!!!
Mas venhamos e convenhamos, se eu não consigo saber e distinguir com clareza quem sou eu como pessoa, como poderei criar uma criança com sua própria identidade?
A missão de saber que sairei de casa sem o bebê (!), que irei a um jantar romântico só com meu esposo, que todos os meus assuntos não giram apenas em torno do fato de que agora sou mãe (ou para os homens, pai), e que minha vida continua tendo os mesmos assuntos importantes a serem resolvidos, exige um esforço muito maior e mais concentrado pra que não passe despercebido, e não me traga no futuro um problema quase indissolúvel, pois: quanto mais o tempo passa, mas profundos e arraigados os problemas, e mais sofrida a solução.
Sei que ainda tenho muito a melhorar, considerando que levei minha filha no primeiro Dia dos Namorados depois que ela nasceu, e visto que ainda sofro muito em ter que me separar dela por meio período pra trabalhar todos os dias. Mas também sei que a simples consciência de que estou no caminho certo me dá a clareza necessária pra pensar, e a tranquilidade pra continuar.

A difícil missão de ser “eu” se resume à difícil missão de decidir ser feliz apesar de pessoas, situações ou vínculos, pois, quando eu sei quem eu sou, quando eu me aceito e me gosto, eu fico feliz com minha própria companhia, e sei passar por qualquer situação superando as dificuldades.
Um dia eu chegarei no ideal, ou não, mas sem dúvida, passarei minha vida em busca do aperfeiçoamento.
Boa sorte pra nós!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Carência, necessidade ou frescura?

Por Khatlyn Profeta



Recentemente vivenciei algo que me fez pensar, e em meio a tanta coisa em minha vida, e mesmo com a escassez de tempo, resolvi expor aqui meus pensamentos.
Numa sociedade inevitavelmente arraigada em paradigmas sociais, e profundo machismo - que tentou tornar-se feminismo, e luta pelo equilíbrio -, somos muito acostumados a pensar que sentir "demais" é "coisa de mulher", e mesmo as mulheres que socialmente são permitidas a sentir e expressar os sentimentos, muitas vezes quando querem se tornar fortes, ou mostrar poder e autoridade negam a existência de valiosos sentimentos.
Não estou negando que muitas vezes sentimentos exacerbados nos privam do julgamento coerente, mas a combinação de razão e sentimento é mais que salutar: é necessária.
Já paramos para pensar em que idade ou fase os sentimentos se afloram ou se expressam? Muitos podem dizer ou pensar que seja com o nascimento do indivíduo, onde sua expressão de sobrevivência e busca pelo alimento está intimamente ligada ao carinho e intimidade com a mãe, e que isso seja simplesmente instinto de sobrevivência pois o carinhos da mãe o mantém protegido. É fato que a ligação da mãe e seu filho, e no caso de alguns animais do pai, mantenham a sobrevivência da espécie, mas o carinho e o afeto não são instintos de sobrevivência, pelo menos não ligados à alimentação e proteção.
Segundo a compilação de dados que fiz lendo alguns sites, revistas e mesmo em consultas médicas, percebi que por volta dos 4 meses de gestação de um bebê humano, em sua 16 semana, o cérebro não é tão funcional em raciocínio e sinapses quanto o de um recém nascido, e o único sentido que está suficientemente desenvolvido é o tato. Alguns profissionais dizem que o bebê pode sentir mesmo o toque por cima da barriga da mãe. Mas o que isso tem a ver com o assunto? Chegarei lá.
Como me encontro exatamente nesta fase da gestação, e curiosidades é o que não falta numa grávida, e muito menos pra mim que sempre a tive de sobra, resolvi ver se era verdade tal alegação e acariciei minha barriga na expectativa de sentir meu filho reagir ao toque.
Para minha surpresa, muito mais que simples movimento, ele se deslocou para onde descansei minha mão e se acomodou em baixo do meu toque, e percebi que era ali a primeira manifestação de necessidade por afeto que um ser humano que nem mesmo ouve, ou raciocina, demonstra em sua mais simples forma.
Não me lembro exatamente onde, mas há alguns anos vi um documentário que mostrou um experimento onde um bebê chimpanzé foi tirado da mãe e colocado num ambiente com dois exoesqueletos que imitavam a forma símia, um deles era completamente metálico e inexpressivo, mas oferecia comida e água, o outro era felpudo, seus braços ofereciam abraço e aconchego, mas nunca comida, água ou suprimentos, mas mesmo assim o pequeno ser passava suas horas nos braços daquele que mais lhe era afetivo, chegando ao ponto de reduzir suas idas ao "refeitório" àquilo que era extremamente necessário, beirando a subnutrição.
Agora pensemos: o ser humano que consegue sintetizar seus pensamentos em lógica razão e motivo, reduziu por vontade própria a expressão e suprimiu mesmo a sensação de parte de si.
Não somos feitos de um cérebro computadorizado que apenas calcula possibilidades, formas etc., possuímos uma alma complexa, que nos permite evoluir em ações, complementar possibilidades, nos compadecer do próximo, e ter empatia de terceiros, pra dizer o mínimo. Analisando assim percebemos que se permitir sentir e demonstrar afeto e sensibilidade não é tão ruim, não é verdade?
Então por qual razão temos, como povo, a triste mania de dizer aos nossos jovens garotos que se machucam física ou emocionante que "homem não chora" ou que "homem aguenta porque é forte"? E que se uma garota quer ser forte, quer ser chefe, ela não pode demonstrar que é sensível? Homem chora sim, sofre sim, e é verdade que aguenta, mas não por ser homem "macho" mas por ser um ser humano bem estruturado - principalmente emocionalmente - que sustenta o peso dos problemas sem desabar, assim como a mulher que pode ser chefe e compartilhar emocionalmente do relacionamento dos colegas de trabalho sendo uma superior melhor e mais eficiente, e pode ser forte, firme, delicada, e equilibrada, mas pra isso, tanto homem quanto mulher, precisam ter uma base sólida em suas emoções e mente, e isso não se conquista ensinando nossos filhos a ignorar o que sentem, pois o que se ignora se esconde, mas não deixa de existir, e pode estar maior e mais forte quando vier à tona da maneira errada e por vezes distorcida.
Acredito que devemos criar nossas crianças as ensinando a lidar com os sentimentos, expressando-os de maneira adequada, ou entendendo e eliminando de forma saudável aqueles que são impróprios e destrutivos, assim as gerações futuras podem usufruir do equilíbrio entre emoção e razão, alma e mente, sem se desequilibrarem no jogo da vida ou do poder.
Que erradiquemos os clichés sociais a tanto nos passado de pais a filhos, e entendamos que o ser humanos complexo e completo como Deus criou possui uma alma que o torna perfeito, e a nós cabe entender e trabalhar o futuro da sociedade.
Fiquem com Deus.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Poema: My Love

Por Khatlyn Profeta



I lost my hope, my dreams,         Eu perdi a minha esperança, meus sonhos,
and my imagination.                    e minha imaginação.
You took my love, my feelings,   Você levou o meu amor, meus sentimentos,
my ability to sensations.                 minha habilidade para sensações.
My heart has become stone         Meu coração tornou-se pedra
at looking to you.                                  ao olhar para você.


I was not good enough?                            Eu não era boa o suficiente?
Not sworn, and gave you my love?   Não jurei, e dei-lhe meu amor?
But not, was not enough.                         Mas não, não era suficiente.
It was in your soul that was a hole   Era em sua alma que havia um buraco
I just could not see... before.             Eu simplesmente não podia ver ... antes.


Now is too late for this.                                   Agora é tarde demais para isso.
I reap the fruits of my blindness.           Colho os frutos de minha cegueira.
It only remains to me have hope               Resta-me ter esperança
And my love for you give me power to wait E meu amor por você me dá força pra aguardar
Expecting that everything will be better Esperando que tudo vai melhorar
I belive in you, I belive in love.               Acredito em você, acredito no amor.


I will be good enough                        Eu serei boa o bastante
And you, will gave me your love        E você,  me dará seu amor
And us together will be enough  E nós juntos seremos o suficente
Filling in your soul the hole                     Preenchendo em sua alma o buraco
Opening your eyes to see... my love  Abrindo seus olhos pra ver ... meu amor

sexta-feira, 28 de março de 2014

Poema: Tolo e Insensato

Por Khatlyn Profeta


Teus olhos expressam a insensatez contida em tuas palavras,
E o âmago do teu ser transborda em gestos e visagens.
Penso em dizer-te o conhecimento que me sobeja ao perceber-te,
Contudo, tua altivez e apedeutismo aferecem meus esforços.
Um dia, sei, hás de compreender o mal que fizeste ao derramar,
Sobre aqueles que te amavam, peçonhas de mentiras e falsas verdades.
Mas aí então, tarde será para te arrepender destes maus caminhos a tanto trilhados,
E esquecido em desespero e tristeza estarás em tua velhice vicinal.
Prepara-te, arrepende-te, antes que o Mau te alcance.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Dor na alma, dor no corpo

Por Khatlyn Profeta

Recentemente tenho vivenciado com uma pessoa próxima o que por muito tempo ouvi em minha vida: que a dor na alma está intimamente ligada à dor no corpo. E digo isso não somente pela dor psicossomática, onde o corpo manifesta uma mágua, rancor, ódio etc., mas também existem as situações onde o ser humano acredita que mereça sofrer e uma enfermidade se agrava pois seu emocional a alimenta.
Contudo da mesma forma com que isso ocorre, também ocorre o inverso: pessoas positivas e cheias de fé, realmente demonstram melhoras em seu estado físico.
Imagino que você já deve ter ouvido de alguém, ou visto em algum filme/seriado, que um paciente não morreu por ter vontade de viver, e isso realmente acontece. Em outras palavras, o organismo desta pessoa recebeu forças de sua alma para lutar contra aquela enfermidade que a atingiu.
Agora eu penso: se o estado emocional é tão importante, não entendo a razão de tratamento médicos não serem sempre acompanhados por tratamentos psicológicos. Alguns até são, mas nem sempre da maneira com que deveriam.
Não sei se o psicólogo não quer dar esperanças ao paciente sem ter certeza, mas já soube de um caso onde havia suspeita de câncer e o paciente foi encaminhado a uma conversa psicológica, procedimento padrão até então, entretanto chegando lá o profissional tentou fazer com que o paciente aceitasse a possibilidade de morrer!(?)
Sei que muitas pessoas não são como eu, e não acreditam em milagres, mas muito além do agir divino, a fé na recuperação e a luta pela melhora são fatos vivenciados e presenciados por tantos ateus e descrentes.
Apesar de preferir deixar minha fé em Deus, não sou cega ao ponto de não entender que nosso próprio organismo possui, em si - presente de Deus, para aqueles que acreditam -, mecanismos de recuperação e regeneração alimentados pelas nossas emoções.
Já vivenciei dor no joelho por não perdoar alguém, mas também já tiver uma crise de asma completamente extinta por estar apaixonada, e sei bem o que as emoções podem fazer ao nosso organismo físico.
Desta forma, peço que cuide da sua alma/emoções até mais que do seu corpo, pois a alma recupera o corpo, mas não o contrário.